Governo cria grupo e alerta estados sobre varíola dos macacos

Nesta sexta-feira (20), a Alemanha disse que o primeiro caso confirmado no país é o de um brasileiro de 26 anos, que esteve em Portugal Por FolhaPress 20/05/2022 8h27

Governo cria grupo e alerta estados sobre varíola dos macacos

Thaãsa Oliveira Brasília, DF O governo federal montou um grupo de especialistas e emitiu um alerta aos estados diante dos novos casos de varíola dos macacos no mundo. O Brasil, até o momento, não registra casos suspeitos da doença. Nesta sexta-feira (20), a Alemanha disse que o primeiro caso confirmado no país é o de um brasileiro de 26 anos, que esteve em Portugal e na Espanha. O homem está em isolamento na cidade de Munique. PUBLICIDADE O Ministério da Saúde afirmou em nota que acompanha o caso e já solicitou informações adicionais à OMS (Organização Mundial da Saúde) e ao Ministério da Saúde da Alemanha. O Itamaraty também foi procurado pela reportagem, mas não respondeu. Uma “comunicação de risco” emitida nesta quinta-feira (19) pelo Ministério da Saúde traz orientações para os profissionais de saúde sobre o diagnóstico e a notificação da doença. Entre outros pontos, o documento alerta para o risco de contágio entre pessoas com mais de um parceiro sexual. “Os serviços de saúde devem tomar medidas para aumentar a conscientização sobre a potencial disseminação da varíola em comunidades de indivíduos que fazem sexo casual ou que têm múltiplos parceiros sexuais”, diz o comunicado. Casos suspeitos, segundo a pasta, devem ser isolados, testados e notificados imediatamente. Os profissionais de saúde também devem iniciar o rastreamento de contatos “assim que tiver a suspeita de um caso”. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE A divulgação de comunicações de risco pela chamada rede Cievs (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) é de praxe quando há a necessidade de alerta e de resposta em todo o país. O Ministério da Ciência e Tecnologia instituiu uma câmara técnica temporária com sete especialistas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e da Universidade Feevale. O grupo, segundo a pasta, atuará de forma consultiva, aos moldes do comitê de especialistas criado em fevereiro de 2020 para acompanhar o avanço do coronavírus. Um dos integrantes é o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Flávio Fonseca, professor da UFMG. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE “No caso do brasileiro, está muito claro que ele adquiriu a doença fora do Brasil. O fato de ele ser brasileiro não altera nossa percepção. Claro que ele vai ter que ser acompanhado, se voltar ao Brasil”, afirma Fonseca. “O número de casos é muito grande para uma doença considerada extremamente rara. Isso nunca havia acontecido. O que está acontecendo agora é absolutamente fora dos padrões imagináveis. É um surto explosivo, rápido e multicêntrico. Estamos bastante preocupados”, continua. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem cerca de 80 casos confirmados e 50 em investigação em 11 países. “A gente ainda está tentando entender a dinâmica de transmissão [da varíola dos macacos]. Como está se disseminando tão rapidamente? Isso já estava acontecendo silenciosamente e, de repente, passou a ser percebido agora? É um vírus da família da varíola. Potencial para se disseminar ele tem”, afirma o virologista. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Os pesquisadores produziram dois relatórios técnicos sobre a doença, com informações sobre as principais formas de contágio e os casos registrados em outros países. O informe explica que a transmissão do monkeypox vírus ocorre após contato com animais infectados. Entre seres humanos, o vírus pode ser transmitido após contato direto com lesões ou secreções corporais, como urina e saliva. “Atualmente, não há tratamento específico recomendado para a varíola dos macacos. A vacinação prévia contra a varíola na infância pode resultar em um curso mais leve da doença. No entanto, atualmente no Brasil e em outros lugares do mundo, as vacinas originais contra a varíola não estão mais disponíveis para o público em geral”, afirma o documento. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Em nota, o Ministério da Saúde disse que “enviou aos estados as informações disponíveis sobre a doença até o momento, buscando orientar os profissionais de saúde”. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE “A varíola dos macacos é uma doença viral endêmica no continente Africano e que, até o momento, não há notificação de óbitos entre os casos detectados em países não endêmicos”, afirma a pasta.